
O “Vazio Existencial” no Século XXI: Como Viktor Frankl Explicaria as Redes Sociais e o Futebol Atual
Se você pudesse trazer o psiquiatra austríaco Viktor Frankl — sobrevivente do Holocausto e pai da Logoterapia — para dar uma volta pelo ano de 2026, ele provavelmente não ficaria surpreso com os nossos avanços tecnológicos. Ele ficaria chocado com a nossa “crise de significado”.
Frankl dedicou a vida a provar que o ser humano precisa de um “porquê” para viver. Na falta dele, nós caímos no que ele chamava de “vazio existencial”: um sentimento de tédio, apatia e falta de rumo.Para mascarar esse vazio, a sociedade moderna criou as maiores máquinas de distração da história. Se Frankl analisasse o nosso cotidiano hoje, veja o que ele diria sobre as nossas maiores obsessões:
1. As Redes Sociais: A busca por curtidas é a fome de sentido disfarçada
Para Frankl, quando as pessoas não encontram um sentido real para suas vidas, elas tendem a buscar duas coisas para preencher o buraco: o prazer imediato ou o poder (status).
As redes sociais são o ecossistema perfeito para isso. O “feed” infinito entrega doses rápidas de dopamina (prazer), enquanto a contagem de seguidores e curtidas simula uma sensação de relevância e poder.
O diagnóstico de Frankl: Ele diria que a busca obsessiva por engajamento e a ostentação de uma vida perfeita no Instagram são tentativas desesperadas de provar para nós mesmos que a nossa existência importa. O problema é que a validação digital é um poço sem fundo. Você pode ter um milhão de curtidas e ainda deitar a cabeça no travesseiro sentindo uma solidão profunda, porque o algoritmo preenche o tempo, mas não preenche a alma.
2. O Futebol Masculino: O escapismo e a crise de identidade
O futebol masculino hoje movimenta bilhões de dólares, monopoliza conversas e dita o humor de milhões de pessoas. Por que somos tão obcecados?
Frankl falava sobre o perigo do “conformismo” (fazer o que todo mundo faz) e do “totalitarismo” (fazer o que os outros mandam) como sintomas do vazio existencial. No futebol moderno, muitas vezes vemos o torcedor transferir a sua própria busca de sentido para o clube.
O diagnóstico de Frankl: Quando a vida pessoal de alguém carece de conquistas reais, de conexões profundas ou de um propósito profissional, é muito fácil projetar toda a sua necessidade de vitória no time de futebol.
A vitória do clube vira a “sua” vitória; a derrota do clube vira uma tragédia pessoal. Frankl olharia para a violência entre organizadas ou para a depressão de um torcedor após uma derrota e diria: “Esse homem não está bravo pelo jogo; ele está frustrado porque o futebol é a única coisa que dá uma cor efêmera para a vida cinzenta dele.”
3. O Futebol Feminino: A construção de sentido através da luta e do propósito
Por outro lado, o crescimento e a consolidação do futebol feminino nos últimos anos oferecem um exemplo perfeito do que Frankl chamava de “Valores de Atitude” e “Valores Criativos”.
Durante décadas, as mulheres foram proibidas por lei de jogar futebol em vários países (inclusive no Brasil) e enfrentaram — e ainda enfrentam — disparidade de investimentos e preconceito.
O diagnóstico de Frankl:
Frankl veria o futebol feminino não apenas como um esporte, mas como um manifesto vivo de sua teoria. As atletas não jogam apenas por dinheiro (que historicamente sempre foi escasso) ou por fama; elas jogam por uma “causa”.
Existe um sentido coletivo que vai além das quatro linhas: abrir caminhos para as próximas gerações, provar o próprio valor e transformar o sofrimento do preconceito em um triunfo de dignidade. Para Frankl, é por isso que o futebol feminino carrega uma energia tão genuína: há um “porquê” muito claro por trás de cada chute na bola.
O Veredito de Frankl para 2026
Se Viktor Frankl pudesse escrever um post de blog hoje, o conselho dele seria direto:
“Não busquem o sentido da vida nas telas de seus celulares, nem na televisão assistindo a heróis pagos para chutar uma bola. As redes sociais e o futebol são ótimos entretenimentos, mas péssimos substitutos para uma vida real.”
O sentido da sua vida não está no que você consome de forma passiva. Ele está no trabalho que você cria com amor, nas pessoas com quem você se conecta de verdade fora das telas e na postura digna que você escolhe ter diante dos problemas reais do seu dia a dia.

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